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Um jovem é assassinado no Brasil a cada 17 minutos, aponta Atlas

Em 11 anos, 333.330 pessoas de 15 a 29 anos foram vítimas de homicídio no país. Somente em 2019, 23.327 jovens foram mortos

Por Valdivan Alves em 01/09/2021 às 12:05:58
Brasil teve 623.439 entre 2009 e 2019 PIXABAY

Brasil teve 623.439 entre 2009 e 2019 PIXABAY

No período entre 2009 e 2019, o Brasil teve 333.330 pessoas com idades entre 15 e 29 anos assassinadas. O número representa um jovem morto em território brasileiro a cada 17 minutos. Essa informa√ß√£o consta no Atlas da Viol√™ncia 2021, publicada na última ter√ßa-feira (31).

"S√£o centenas de milhares de indivíduos que n√£o tiveram a chance de concluir sua vida escolar, de construir um caminho profissional, de formar sua própria família ou de serem reconhecidos pelas suas conquistas no contexto social em que vivem", diz o estudo, que foi feito por meio da parceria entre FBSP (Fórum Brasileiro de Seguran√ßa Pública), Ipea (Instituto de Econômica Aplicada) e IJSN (Instituto Jones dos Santos Neves).

Em 11 anos, o estudo contabilizou o assassinato de 623.439 pessoas — 53% jovens. Somente em 2019, 23.327 jovens foram vítimas de homicídios no Brasil, sendo que 93,9% eram homens.

Entre os números das estatísticas de 2019, est√£o os jovens Roney Oliveira, de 20 anos, Nicolas Canda, de 18, Leonardo Carvalho, 23, e Vitor Barbosa, 21. Os quatro amigos estavam juntos no carro do Vitor, andando pela zona leste de S√£o Paulo, quando foram assassinados por policiais militares da Rota.

Roney Oliveira est√° nas estatísticas

de jovens assassinados em 2019

REPRODUÇÃO/FACEBOOK

Pouco antes dos jovens serem mortos, dois deles (Roney e Vitor) mandaram mensagens de amor para suas companheiras. Mas na vers√£o policial, os amigos estavam praticando crimes na regi√£o e, quando foram abordados pelos PMs da Rota, desceram trocando tiros.

Para o advogado Ariel de Castro Alves, presidente do Grupo Tortura Nunca Mais e membro do Movimento Nacional de Direitos Humanos, a viol√™ncia praticada contra os jovens "tem rela√ß√£o com o aumento da vulnerabilidade dessas pessoas no país, que t√™m menos oportunidades de escolariza√ß√£o, trabalho, profissionaliza√ß√£o, est√°gios, e em atividades de cultura e esportes".

O advogado também explica que o caso que terminou nas mortes dos jovens na zona leste de S√£o Paulo retrata uma boa parcela do número de homicídios do grupo no país. "Temos o aumento da viol√™ncia policial, incentivado por autoridades municipais, estaduais e federais", conta.

"Pelos menos 20% das mortes dos jovens tem envolvimento de policiais, principalmente PMs. Quem deveria proteger os jovens e a comunidade, que s√£o as polícias, representa grande risco de viol√™ncia e morte para a juventude", explica Alves.

Apesar do número representativo de jovens assassinados, o ano de 2019 teve um recuo de 24,3% nas mortes violentas praticadas contra pessoas com idades entre 15 e 29 anos na compara√ß√£o com o ano anterior. Segundo o estudo, a taxa de homicídios a cada 100 mil jovens passou de 60,4 para 45,8.

A queda no número de homicídios de jovens é reflexo da diminui√ß√£o em todos os Estados, exceto o Amazonas, que teve aumento de 5,4% nos assassinatos de pessoas de 15 a 29 anos em 2019 na compara√ß√£o com o ano anterior.

O Espírito Santo foi o Estado que teve menor redu√ß√£o, caindo 7,7%, enquanto Roraima foi o que mais reduziu, registrando queda de 56,5% na viol√™ncia letal contra a juventude.

Com rela√ß√£o a taxa de homicídios entre os jovens para um grupo de 100 mil habitantes, o Amap√° é o Estado com o pior índice: 101,8. Na outra ponta est√° o Estado de S√£o Paulo, com o menor índice do país (12,5). A taxa de homicídios entre os jovens no Brasil é de 45,8, conforme os dados de 2019.

Sobre o futuro próximo, Alves afirma temer pelo que pode acontecer com a juventude. "Agora, após a pandemia, com o aumento do desemprego, com a perda de renda das famílias, crise econômica, social e humanit√°ria, a tend√™ncia é de aumento na viol√™ncia nesse ano e nos próximos, e os jovens acabam sendo as principais vítimas da exclus√£o social e também da viol√™ncia".

Fonte: R7

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